Assumo com entusiasmo que hoje passo de 10 a 12 horas por dia usando a inteligência artificial, no trabalho e na vida pessoal. Sempre tive uma tendência a trabalhar sozinho na minha carreira, ou com poucos colaboradores, e sou muito interessado em tecnologia, apesar da formação de engenharia ambiental.
Como é que eu cheguei até aqui? Eu caí na IA pela necessidade de trabalho e pela avalanche que as LLMs têm sido na vida profissional de muita gente. Mas antes passei por aquelas fases do luto, e a primeira foi a negação. Eu era meio cético na época em que a IA era só um gerador de texto, e ficava na dúvida de como aquilo poderia contribuir com o meu mercado.
Tipicamente um delírio da LLM
Nesse tempo não tão passado assim, quando ela começou a aparecer mais no cotidiano, eu tive um episódio na equipe, de uso de inteligência artificial num estudo. Os modelos eram mais fracos, e mais delirantes. Foram introduzidas no estudo espécies de fauna que não condiziam com a área estudada, tipicamente um delírio da LLM. Isso ficou no nosso estudo. Por sorte, com a ajuda de outros profissionais que leram o material, a gente identificou a inconsistência antes de o estudo ir para o órgão ambiental. Não foi protocolado, e a correção foi feita antes.
Isso me gerou uma repulsa inicial por inteligência artificial aplicada ao meio ambiente. Na época, além de tocar a minha empresa, eu era presidente de uma grande empresa de meio ambiente, e vi aquilo como um risco para os nossos estudos. Estudos ambientais são muito grandes, contêm muita informação, e pegar os delírios da inteligência artificial lá dentro era um desafio. Por isso eu fiquei meio reticente, sem imaginar no que a inteligência artificial ia se transformar com os modelos mais modernos e com a ampliação do conhecimento de como fazer uso dela.
Quase que humanamente impossível
Aí eu me peguei diante de um desafio muito grande, um trabalho de revisão que se mostrou quase que humanamente impossível de ser feito, ainda que com a equipe, e fui galgando degraus no uso de IA. E calhou de ser bem a época em que a IA evoluiu pro uso de ferramentas dentro do computador, os agentes, que é um pouco do que veio com o Claude Code e com o Codex.
Pra mim, inteligência artificial nada mais é do que uma superferramenta que expandiu os meus braços de uma maneira que eu nunca consegui imaginar. Este ano de 2026 tem sido transformador e ao mesmo tempo insano. De fato é um privilégio estar vivendo essa fase da humanidade. É a oportunidade de trabalhar bem, trabalhar melhor, com otimização de esforço e de custo, que é uma bandeira que eu levanto desde sempre no meio ambiente: a gente deveria gastar menos dinheiro com papel e mais dinheiro com ações de conservação.
O tempo todo
A inteligência artificial hoje é intensa na minha vida a ponto de eu abrir uma startup, o LICERE, que está na vanguarda do uso de IA em meio ambiente. Mas é muito mais do que isso, né? Hoje eu programo, hoje eu sou TI, hoje eu faço vídeo pras minhas filhas, hoje eu tô vivendo inteligência artificial o tempo todo. Programar, no meu caso, é o tal do vibe coding: eu digo o que quero e o agente escreve o código. Quando eu paro pra estudar, o tempo que me resta também é IA: livros, blogs, podcasts, enfim.
E é essa experiência intensa que eu quero compartilhar aqui. Eu quero falar de inteligência artificial. A minha área de aplicação é meio ambiente, mas isso é casuístico. Acho que o blog vai servir pros profissionais de meio ambiente como uma inspiração, uma visualização de como isso pode ser aplicado, mas talvez mais pras pessoas entusiastas de inteligência artificial.
Vou deixar aqui as minhas experiências, os meus feitos, os meus erros, as paredes que a gente encontra, os caminhos que criamos e as ferramentas personalizadas que a gente consegue montar.
Bem-vindos!